QUESTõES DE PROVA

Questões de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial - Subjetiva I

1) Qual a escala mais utilizada para estimar o estado geral do doente e risco cirúrgico? Descreva seus itens de classificação
A escala mais utilizada é da American Society of Anesthesiology (ASA).

Sistema de Classificação dos pacientes segundo a ASA
Classe
Descrição

ASA 1 Sem distúrbios fisiológicos, bioquímicos ou psiquiátricos

ASA 2
Leve a moderado distúrbio fisiológico, controlado. Sem
comprometimento da atividade normal. A condição pode afetar a
cirurgia ou anestesia

ASA 3
Distúrbio sistêmico importante, de difícil controle, com
comprometimento da atividade normal e com impacto sobre a
anestesia e cirurgia

ASA 4
Desordem sistêmica severa, potencialmente letal, com grande
impacto sobre a anestesia e cirurgia
ASA 5
Moribundo. A cirurgia é a única esperança para salvar a vida.

2) Quais são os exames pré-operatórios mais solicitados e em quais situações?
Os exames pré-operatórios mais solicitados são os de imagem que incluem radiografias, tomografias para diagnóstico de fraturas, dentes retidos, planejamento de cirurgias ortognáticas.
Entre os exames laboratoriais os mais indicados são o hemograma completo, para avaliar de modo geral as condições dos componentes sanguíneos,
Hemograma: inclui Eritrograma + leucograma + plaquetas é utlizado para avaliação de anemias, infecções bacterianas e viróticas, inflamações e leucemias.
Coagulograma que inclue tempo de protrombina, tempo de tromboplastina parcial ativado e contagem de plaquetas, utilizado para avaliação laboriatorial inicial de pacientes com distúrbios hemorrágicos e avaliação hemostática pré-operatoria.
Tempo de Sangramento: Mede a reação dos capilares e plaquetas à lesão vascular, reação esta que depende das plaquetas estarem qualitativa e quantitativamente normais, dos fatores da coagulação presentes no plasma, do endotélio vascular e da contratilidade capilar.
Tempo de Coagulação: Avaliar a coagulação do sangue total e monitorar terapia com heparina.
Glicemia Jejum: para verificar presença de hiper ou hipoglicemia
Urina: utilizada para localizar sangramentos, quando mostra hemácias apenas no jato final da urina, sugere hematúria prostática ou do trígono vesical.
3) Quais as complicações da hipoglicemia e hiperglicemia?
A hipoglicemia pode ser classificada em 3 estágios. O primeiro é leve que pode se manisfestar como taquicardia, palpitações, palidez, tremores e irritabilidade. O segundo é a moderada que se manifesta por função deficiente do SNC (confusão, incapacidade de se concentrar, fala ininteligível e visão embaçada) e o terceiro é o grave que pode apresentar perda de consciência, dificuldade em acordar e convulsões.
Já a hiperglicemia pode se manisfestar como complicações agudas como a Cetoacidose diabética e o Coma hiperosmolar não-cetótico, e complicações crônicas como neuropatias, macroanginopatia, microanginopatias, retinopatias e nefropatia. Alem disto estes pacientes estão mais sujeitos a infecções, pois apresentam função debilitada dos leucócitos, incapacidade de fazer anticorpos e insuficiência vascular.

4) Quando é indicado transfusão sanguínea em pacientes cirúrgicos?
Os pacientes que apresentam deficiência dos fatores de coagulação II, V, VII, IV e XI pode ser realizada a transfusão de plaquetas frescas congeladas. Os pacientes de apresentam anemia falciforme, em procedimentos cirúrgicos maiores, pode-se realizar a transfusão de troca para diluir as hemáceas defeituosas. Os pacientes que apresentam hemofilia A grave devem receber uma reposição de fator VIII concentrado. Além disso quando a perda sanguínea for excessiva durante o procedimento cirúrgico acima de 30% do volume sanguíneo deve realizar a transfusão sanguínea.

5) Descreva os possíveis esquemas de jejum pré-operatório para adultos e crianças.

IDADE
SÓLIDO
(refeição leve -
torrada e chá) SÓLIDO
(refeição
completa .
gorduras, carnes)
LEITE NÃO HUMANO

LEITE MATERNO LIQUIDO
CLARO

RN
<6 meses 6 horas 4 horas 2 horas
6-36 meses 6 horas 8 horas 6 horas 4 horas 2 horas
>36 meses 6 horas 8 horas 8 horas 2 horas
Adulto 6 horas 8 horas 8 horas 2 horas

Líquido claro: água, suco de fruta sem polpa, chá claro, bebidas isotônicas, bebidas carbonatadas (refrigerantes).
Pacientes de risco para aspiração pulmonar de conteúdo gástrico: falta de jejum, refluxo gastroesofágico, acalasia, neuropatia autonômica diabética, divertículo de Zencker, estenose CA de esôfago, diminuição do tônus do EEI, TCE, isquemia cerebral, desordens neuromusculares, distrofias musculares, dor, estenose intestinal, ascites de grande volume, gestação, uremia, hipo e acloridria gástrica utilizar ranitidina 150mg EV duas horas antes da anestesia ou na noite anterior.
Nos pacientes de risco, introduzir profilaxia medicamentosa (gastrocinéticos como a metoclopramida, antiácidos não particulados como o citrato de sódio e antagonistas do receptor H2 como ranitidina) e associar indução seqüencial rápida. Quando o paciente já estiver em uso de sonda nasogástrica esta deve ser aspirada e não deve ser removida.

6) O que é sinal de Battle, sinal de Guaximin e sinal do Halo Duplo?
SINAL DE BATTLE: Sinal que leva à suspeita de ocorrência de fratura basilar de crânio, representado por presença de equimose em região temporal ou pré-auricular.
SINAL DE GUAXIMIN: Presença de equimose periorbitária.
SINAL DO HALO DUPLO: É o sinal de presença de fistula liquórica, no qual o anel externo representa o líquor e o interno o sangue.

7) Descreva detalhadamente sobre o ABCDE do trauma.
O objetivo deste atendimento é rápido acesso às lesões e medidas terapêuticas de suporte à vida. Deve apresentar uma abordagem sistematizada para evitar perda de tempo durante a avaliação inicial. O principio do ABCDE do trauma é que nos pacientes com lesões graves deve ser estabelecida uma seqüência lógica de tratamento, de acordo com as prioridades e baseada na avaliação geral do paciente e esta seqüência é:
A - Vias aéreas com controle da coluna cervical
B - Respiração e ventilação
C - Circulação com controle da hemorragia
D - Déficit neurológico
E - Exposição/controle do ambiente
As vias aéreas devem ser avaliadas em primeiro lugar para assegurar sua permeabilidade. Seu diagnóstico pode incluir: presença de corpos estranhos, fraturas mandibulares, traumas tráqueo-laríngeos. Além disso, considerar a existência de lesão da coluna cervical em todo paciente politraumatizado, incluindo os pacientes com níveis de consciência alterado, traumatismos fechado acima da clavícula.
Uma boa ventilação envolve o funcionamento adequado dos pulmões, da parede torácica e do diafragma. O tórax deve estar exposto, deve-se auscultar para confirmar o fluxo de ar nos pulmões, realizar percussão para verificar a presença de ar ou sangue no tórax e realizar a inspeção visual e palpação para revelar lesões da parede do tórax.
A hemorragia é a principal causa de morte no período pós-traumático. A avaliação rápida e acurada do estado hemodinâmico é essencial e ela é realizada através do nível de consciência e pulso. Quanto menor o volume sanguíneo, menor a perfusão cerebral acarretando em alterações no nível de consciência. Já o pulso deve ser examinado bilateralmente para se avaliar: qualidade, freqüência e regularidade. Em caso de ausência de pulsos centrais (femoral ou carotídeo) há necessidade de ação imediata de reanimação. A cor da pele pode ser importante na avaliação do paciente hipovolêmico politraumatizado, em casos de coloração rósea (face e extremidades) a situação raramente será crítica, no entanto com coloração acinzentada há sinais evidentes de perda de 30% do volume sanguíneo.
Uma avaliação neurológica rápida deve ser realizada no final do exame primário. Procura-se estabelecer o nível de consciência do paciente através do tamanho da pupila e sua reação. Rebaixamento do nível de consciência deve-se a baixa oxigenação e/ou perfusão cerebral e trauma direto ao cérebro. Um nível de consciência alterado requer reavaliação imediata da ventilação, oxigenação e perfusão.
Durante a exposição e controle do ambiente o paciente deve ser totalmente despido para verificar a existência de outras lesões, evitando-se a hipotermia através de cobertores, fluidos intravenosos e ambiente agradável.

8) O que é dispinéia, apnéia, taquipnéia e disfagia?
DISPNÉIA: Dispnéia ou falta de ar é um sintoma no qual a pessoa tem desconforto para respirar, normalmente com a sensação de respiração incompleta.
APNÉIA: Parada temporária da respiração.
TAQUIPNÉIA: Aumento da frequência da respiração.
DISFAGIA: disfagia é definida como uma dificuldade em deglutir ou uma sensação de comida "presa" na garganta ou no esôfago


9) O que é sinéquia, hipertelorismo, melena e hipópio?
SINÉQUIA: Fusão ou soldadura de dois tecidos que, normalmente, estão separados. Este sinal pode ocorrer em casos de fratura nasal com esmagamento
HIPERTELORISMO: Deformação congênita do crânio e da face, manifestando-se por afastamento excessivo dos olhos, com alargamento da raiz do nariz. Sinal não muito comum que ocorre em algumas síndrome ou um trauma gravíssimo com grande choque na estrutura do crânio.
MELENA: Eliminação de fezes de cor negra que indica presença de sangue no conteúdo fecal.
HIPÓPIO: Pequena coleção de situada na parte inferior da câmara anterior do olho, cujo nível muda de inclinação de acordo com os movimentos da cabeça.